Aeroporto Roland Garros aposta na ventilação natural

D.R.
Christina Genet
A infraestrutura localizada na ilha da Reunião baseia-se na arquitetura bioclimática e consegue reduzir o consumo energético em cerca de 60 %, sem necessidade de recorrer a sistemas de ar condicionado.
O novo terminal de chegadas do Aeroporto Roland Garros na ilha francesa da Reunião deixa de depender de sistemas convencionais de climatização. Considerado o primeiro terminal aeroportuário bioclimático do mundo, o projeto tira partido das condições climáticas locais para garantir o conforto térmico através da ventilação natural, recorrendo ao ar condicionado apenas nas áreas onde este é indispensável.
Concebido pelo atelier francês AIA Life Designers, o edifício utiliza os ventos alísios como principal mecanismo de arrefecimento. Compõe-se de uma fachada permeável equipada com lâminas motorizadas, de uma cobertura concebida para potenciar a circulação do ar e de um canyon bioclimático central que cria uma zona de baixa pressão, favorecendo a passagem do ar através do terminal. Desta forma, apenas cerca de 7 % da área útil necessita de climatização mecânica.
Segundo os responsáveis pelo projeto, esta abordagem permite reduzir o consumo energético em cerca de 60 % face ao terminal anterior. Além disso, a velocidade do ar, na ordem de 1 m/s junto aos ocupantes, reduz a temperatura percecionada em aproximadamente 4 °C.
A solução de ventilação natural foi desenvolvida pela D+H France, que concebeu um sistema capaz de responder simultaneamente às necessidades de ventilação, desenfumagem e controlo térmico. O edifício integra 860 grelhas de ventilação de lâminas (louvre windows), cuja abertura é regulada automaticamente em função das condições atmosféricas.
O sistema é gerido por cerca de 30 centrais de controlo CPSM. Aproximadamente dois terços destas unidades asseguram a ventilação natural controlada do terminal, enquanto as restantes garantem a desenfumagem em caso de incêndio. A comunicação entre todos os equipamentos é efetuada através da tecnologia Advanced Communication Bus (ACB), permitindo uma gestão integrada e em tempo real.
A estratégia bioclimática é complementada por soluções de sombreamento arquitetónico, amplos beirais, vegetação integrada e uma instalação fotovoltaica que contribui para a descarbonização do aeroporto.
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