Entrevista a Luís Malheiro

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Entrevista por Christina Genet
Luís Malheiro fala dos desafios da gestão de uma empresa de engenharia de edifícios com mais de 40 anos de atividade, dos sucessos, das dificuldades e da construção de uma imagem que inspira confiança.
É fundador e administrador da LMSI-Engineering, uma grande empresa portuguesa de projetos, gestão e fiscalização de obras e facility management. Como surgiu a criação da empresa?
Antes de fundar esta empresa, trabalhei durante 11 anos noutra empresa, que se dedicava à execução de instalações técnicas especialmente em data centers (chamavam-se centros de informática). Foi aí que adquiri muita experiência, tanto do mercado como nesta área em particular. Mais tarde, em 1983, decidi fundar esta empresa, para nos dedicarmos apenas à elaboração de projetos, assumindo que seria uma empresa que não executaria obras. Costumo comparar esta separação entre projetistas e empresas de construção ao Tratado de Tordesilhas quando os espanhóis e os portugueses dividiram o mundo ao meio e, na minha perspetiva, também aqui deve existir uma divisão clara: quem faz obras não faz projetos e quem faz projetos não faz obras, embora, hoje em dia, isso nem sempre aconteça assim. A empresa foi fundada precisamente num ano em que Portugal entrou em crise financeira – a primeira de que me lembro – em que o FMI esteve no país. Os primeiros anos foram difíceis, embora essa fase tenha sido atenuada pelo facto de termos sido selecionados logo em 1984, para desenvolver o projeto e assumir também a fiscalização e gestão da obra do Centro Comercial das Amoreiras, o primeiro grande centro comercial em Portugal. Depois, a partir de 1986, a empresa cresceu muito e começámos a ter bastante trabalho.
Em que contexto aconteceu esse crescimento?
Foi uma consequência direta da adesão de Portugal à União Europeia. Houve um grande crescimento do mercado, muitos investimentos e, nessa altura, nós já tínhamos conquistado algum prestígio pela qualidade do trabalho que fazíamos. Estas coisas nunca nascem do zero. Aumentámos a equipa, tivemos de mudar de escritório e continuámos a crescer. Mais tarde, em 1994, ultrapassámos bem outra crise, novamente com o FMI em Portugal. Depois, a partir de 1996, fomos responsáveis por muitos dos projetos emblemáticos e inovadores da Expo 98 e isso representou um novo ciclo de crescimento. Este envolvimento nos projetos da Expo 98 deu-nos muita visibilidade e reforçou bastante o nosso prestígio no mercado. Em 2005, tomámos uma decisão importante ao separar um departamento interno de gestão da manutenção que, entretanto, tinha sido criado, dando-lhe condições para se desenvolver de forma autónoma, o que veio a acontecer com um sucesso relevante, passando a complementar a oferta de serviços profissionais que prestávamos, completando a nossa responsabilidade de engenharia ao longo do ciclo de vida dos edifícios. Até então, a empresa fazia projetos de instalações técnicas – ar condicionado, eletricidade, segurança, entre outras áreas. Mas gradualmente, começámos também a assumir a gestão da manutenção dos edifícios depois de concluídos. Por exemplo, elaborávamos projetos de um edifício – como a Torre 2 das Amoreiras, o Pavilhão Atlântico ou o Centro Colombo, e muitos outros – e, na continuação, os clientes pediam-nos apoio para a gestão da manutenção e operação desses edifícios que, hoje se denomina Facility Management. Foi assim que se desenvolveu esta nova atividade dentro da empresa. A grande vantagem estratégica era precisamente essa: em vez de terminarmos a nossa intervenção no fim da obra, os clientes queriam que continuássemos envolvidos. Isso permitiu-nos manter relações mais duradouras com os clientes. Ao mesmo tempo, o facto de continuarmos próximos deles dava-nos acesso mais cedo à informação sobre novos investimentos. Fomos criando uma carteira de clientes recorrentes, o que acabou por dar maior consistência à nossa capacidade comercial e à empresa. E isso é muito importante, porque, como diz o ditado, “longe da vista, longe do coração”. Assim, fomos mantendo clientes que apreciavam o nosso trabalho e com quem continuámos a colaborar ao longo dos ano .Ainda hoje temos clientes que trabalham connosco há 35 ou 40 anos. Depois, em 2007, iniciámos uma atividade de inovação e tecnologia, com o desenvolvimento interno de uma plataforma tecnológica para monitorização de consumos de energia e água em edifícios – WiseMetering. Estas atividades estão hoje firmemente implantadas no mercado e continuam em crescimento (...)
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