Formação: um desafio estratégico para a engenharia do setor do AVAC

FOTO PAANNAYAN / SHUTTERSTOCK
A transformação tecnológica, económica e social que atualmente atravessa os setores da construção, energia e climatização está a alterar profundamente o papel dos profissionais de engenharia. As metas associadas à descarbonização dos edifícios até 2030, a digitalização dos sistemas técnicos e a crescente integração de energias renováveis, decorrentes do reforço das exigências regulamentares, estão a criar novos desafios, mas também novas oportunidades para o setor AVAC.
Neste contexto, a formação técnica dos profissionais assume uma importância cada vez mais estratégica, tanto nas empresas do setor privado, como nas instituições públicas e no setor empresarial do Estado. O conhecimento adquirido na formação académica continua a ser essencial para os profissionais de engenharia no setor AVAC, mas já não é suficiente para responder à velocidade da evolução tecnológica e regulamentar que atualmente caracteriza o mercado.
A Diretiva Europeia relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), o Plano Nacional de Renovação de Edifícios (PNRE) e as metas de neutralidade carbónica exigem profissionais preparados para lidar com soluções técnicas cada vez mais complexas, integradas e multidisciplinares. Os sistemas de ventilação e climatização evoluíram significativamente nos últimos anos, incorporando tecnologias de automação, monitorização inteligente, recuperação de energia, bombas de calor de elevada eficiência e soluções híbridas cada vez mais sofisticadas.
Paralelamente, os edifícios deixaram de ser analisados apenas numa perspetiva de consumo energético. Hoje, assume crescente relevância a qualidade do ambiente interior, o conforto térmico, a eficiência operacional e a sustentabilidade global das soluções implementadas.
Perante esta realidade, a atualização contínua de competências tornou-se indispensável. A formação contínua deve ser encarada não apenas como um requisito de valorização profissional, mas também como uma ferramenta essencial para garantir qualidade técnica, capacidade de inovação e adaptação às novas exigências do setor.
Importa igualmente reconhecer que os desafios da formação já não se limitam às competências técnicas tradicionais. Os profissionais necessitam de desenvolver capacidades transversais, incluindo gestão de projeto, análise de dados, ferramentas digitais, comunicação técnica e relacionamento interpessoal, num setor cada vez mais multidisciplinar e tecnologicamente exigente.
Paralelamente, o setor AVAC enfrenta um desafio adicional relacionado com a renovação geracional e a escassez de profissionais qualificados. A atração de novos técnicos e engenheiros para as áreas da energia e climatização será determinante para assegurar a capacidade de resposta futura do mercado. Neste enquadramento, as associações técnicas, como a EFRIARC, assumem um papel particularmente relevante na promoção da qualificação profissional e na disseminação de conhecimento. Importa igualmente reforçar a componente prática da formação, valorizando a aplicação do conhecimento em contexto real e, sobretudo, o “saber fazer”.
A realização das tardes técnicas, seminários, conferências e iniciativas de formação especializada continuará a ser fundamental para aproximar os profissionais das principais tendências e desafios do setor. Simultaneamente, será necessário complementar os atuais modelos de divulgação e formação com ferramentas digitais, plataformas online e soluções de streaming, capazes de chegar de forma mais eficaz aos diferentes profissionais do setor.
Neste sentido, a EFRIARC terá igualmente o desafio de avaliar, com o contributo dos seus associados, qual o caminho a seguir na produção e disponibilização de conteúdos e manuais técnicos, em vários formatos, que possam servir de referência aos profissionais do setor. Para tal, será importante investir na capacidade organizativa e técnica da associação, sendo necessário, uma estrutura interna mais profissionalizada, capaz de cumprir com o desafio preconizado, com o objetivo de responder às expectativas dos seus associados e às exigências futuras do mercado.
Diretor da AVAC Magazine
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