ADENE avalia implementação de medidas de transição energética na indústria

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Christina Genet
O relatório destaca que as empresas estão a implementar soluções para aumentar a sua eficiência energética, apesar de continuarem a enfrentar barreiras financeiras e escassez de mão de obra qualificada.
Como se traduz a transição energética nas empresas industriais em Portugal? O relatório “Roteiro da Indústria – Da teoria à eficiência, junto da indústria nacional”, da Agência para a Energia (ADENE), procurou responder a esta questão, reunindo as respostas de 168 empresas de diferentes setores e dimensões, distribuídas pelo território nacional.
Com a maioria das empresas a implementar medidas de eficiência energética, renovação tecnológica ou produção de energia para autoconsumo, a indústria portuguesa parece já ter iniciado o seu percurso da descarbonização. Além disso, cerca de 62 % das empresas dispõem de certificações de gestão ambiental ou energética, o que demonstra a adoção de abordagens estruturadas.
Embora esta realidade ainda não seja observada na maioria das empresas inquiridas, para algumas delas a transição energética passa também pela substituição progressiva dos sistemas de aquecimento a gás por fornos elétricos de alta eficiência, combinados com sistemas de controlo digital, destaca o relatório. A eletrificação destes processos permite reduzir as emissões diretas, reforçar a estabilidade térmica e o controlo dos parâmetros operacionais, aumentar a competitividade das empresas e, no futuro, integrar energia renovável produzida localmente.
A ADENE destaca igualmente o impacto positivo da recuperação e valorização do calor residual através de permutadores. O calor recuperado pode ser utilizado para pré-aquecer matérias-primas, alimentar circuitos de água quente, e reduzir a carga térmica de outros equipamentos. Como resultado, é possível diminuir o consumo de combustíveis fósseis e os custos energéticos, sem comprometer o processo produtivo.
Outro exemplo destacado no documento é o de uma empresa que modernizou o seu sistema de arrefecimento através da instalação de chillers de alta eficiência, de forma a responder de modo mais sustentável às suas elevadas necessidades de refrigeração. A solução inclui ainda o controlo inteligente de cargas e temperaturas, a utilização de torres de ar seco para eliminar o consumo de água e a monitorização contínua em tempo real. O resultado foi uma redução significativa do consumo energético e hídrico, acompanhada por uma maior fiabilidade operacional.
A indústria nacional continua, no entanto, a enfrentar diversos obstáculos à implementação de medidas de eficiência energética. Entre as principais limitações encontram-se a reduzida capacidade de investimento, a escassez de recursos humanos especializados, o desconhecimento técnico e a dificuldade e identificar e avaliar soluções e incentivos públicos. Para a ADENE, estas barreiras explicam o ritmo ainda gradual da adoção de medidas como a eletrificação de processos térmicos, a integração de energias renováveis térmicas e a digitalização.
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