Terá a China influenciado a adoção do ar condicionado nos EUA?

D.R.
Christina Genet
Segundo um professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, o país asiático poderá ter contribuído para a descida dos preços dos equipamentos de climatização no início dos anos 2000.
Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, aumentaram também as exportações chinesas de equipamentos de ar condicionado. Num artigo publicado no Energy Institute Blog, Lucas Davis, professor do Energy Institute at Haas da Universidade da Califórnia em Berkeley, analisa a possível relação entre o aumento da concorrência das importações chinesas e a evolução do mercado norte-americano de ar condicionado residencial. Segundo Davis, o país poderá ter contribuído para baixar os preços dos equipamentos e acelerar a sua adoção nos EUA.
Os dados analisados apontam para uma redução particularmente acentuada dos preços dos aparelhos de ar condicionado de ambiente entre 2000 e 2009. Com base em dados da Consumer Reports, o autor estima que o preço médio tenha caído cerca de 50 % durante esse período, enquanto a partir de 2010, os preços permaneceram essencialmente estáveis.
Esta evolução coincide, segundo Davis, com o período habitualmente identificado como o auge do China shock. Em 2011, a maioria dos equipamentos de ar condicionado vendidos nos EUA já era fabricada na China. Atualmente, o país representa cerca de 70 % da produção mundial deste tipo de equipamento, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
A decisão de compra depende de vários fatores
Mas terá a descida dos preços aumentado efetivamente a penetração do ar condicionado? De acordo com dados do Residential Energy Consumption Survey (RECS), a percentagem de lares norte-americanos com algum tipo de ar condicionado passou de 77 % em 2001 para 87 % em 2009. Depois, manteve-se praticamente inalterada.
Davis reconhece, contudo, que esta evolução não permite estabelecer uma relação causal, tendo em conta que a adoção já tinha aumentado de 68 % para 77 % entre 1993 e 2001, antes da entrada da China na OMC. Além disso, o autor sublinha que fatores como o rendimento, o clima e outras características das habitações influenciam as decisões de aquisição, para além do preço do equipamento.
Ainda assim, a análise levanta uma questão relevante para o setor AVAC: quando o comércio internacional reduz o custo dos equipamentos, até que ponto essa redução de preço estimula a sua utilização? Para Davis, a questão ultrapassa o ar condicionado residencial e pode servir para uma análise mais aprofundada do seu impacto no consumo de eletricidade, na utilização de refrigerantes e nas emissões de carbono.
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