REPOWER REGIONS publica relatório sobre a descarbonização do setor AVAC

D.R.

Christina Genet

Enquanto a indústria europeia de aquecimento e arrefecimento atravessa transformações profundas, com maior eletrificação e integração de fontes de energia renováveis, continua a enfrentar várias barreiras à adoção destas medidas.

Onde se encontra a descarbonização da indústria de aquecimento e arrefecimento na Europa? O projeto europeu REPOWER REGIONS resumiu elementos de resposta a esta pergunta num Landscape Analysis Report, publicado a 20 de janeiro. Para tal, o grupo de trabalho, liderado pela Riga Technical University, analisou as mais recentes evoluções tecnológicas, os quadros regulamentares e as necessidades de competências no setor em nove países parceiros, incluindo a República Checa, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Letónia, Noruega, Polónia, Sérvia e Espanha.

Segundo o relatório, a paisagem de aquecimento e arrefecimento na Europa já está em transformação. Destaca-se a eletrificação exponencial do setor, através da instalação de bombas de calor e da utilização mais frequente de sistemas híbridos e redes de distribuição de baixa temperatura. Observa-se também a adoção cada vez mais frequente de sistemas de controlo inteligentes, automação de edifícios, gémeos digitais e soluções otimizadas por inteligência artificial.

Por outro lado, os autores do estudo sublinham que as fontes de energia renováveis desempenham um papel cada vez mais importante no contexto atual, nomeadamente a energia geotérmica, a energia solar e a recuperação de calor residual. Com a emergência de redes de aquecimento urbano de quarta e quinta geração, os sistemas tornam-se mais flexíveis e permitem temperaturas mais baixas.

Apesar destes avanços, os custos iniciais elevados e os processos de licenciamento fragmentados continuam a travar a adoção destas alternativas. Além disso, o setor enfrenta também a escassez de mão de obra e a falta de interoperabilidade digital, assim como ritmos de renovação desiguais em toda a Europa.

O relatório observa igualmente competências digitais insuficientes, maioritariamente por parte de profissionais mais experientes, em comparação com os recém-licenciados, apesar da falta de experiência destes últimos. Neste contexto, o grupo de trabalho recomenda atualizar a oferta de formação alinhada com os métodos atuais, promover a maior adoção de microcredenciais para tecnologias emergentes de aquecimento e arrefecimento, e reforçar a colaboração entre a indústria e as entidades de ensino.

A um nível mais geral, os autores do relatório recomendam ações políticas coordenadas, como implementar planos locais de aquecimento e arrefecimento obrigatórios, reforçar o apoio à instalação de bombas de calor e ao aquecimento urbano de baixa temperatura. Recomenda-se ainda expandir a integração de calor renovável e recuperado a nível regional, e reforçar a digitalização e a interoperabilidade em todos os sistemas energéticos.

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