Paris aposta no district cooling com recurso à água do rio

D.R.
Christina Genet
Na capital francesa, a água do rio Sena desempenha um papel central na climatização de edifícios públicos, através de uma rede centralizada de arrefecimento urbano.
Aproveitar a frescura da água do rio para arrefecer museus e edifícios de escritórios. Com a expansão da sua rede de arrefecimento urbano, a capital francesa tornou este princípio uma realidade. O sistema centralizado utiliza a água do rio Sena como fonte de rejeição térmica para climatizar edifícios públicos de forma mais sustentável. Operada pela entidade pública Fraîcheur de Paris, a infraestrutura, composta por 120 quilómetros de tubagens subterrâneas, é atualmente considerada uma das maiores redes de frio urbano da Europa.
A rede assenta num princípio simples: em vez de cada edifício produzir autonomamente água gelada através de chillers individuais, a produção é centralizada em centrais frigoríficas distribuídas pela cidade. Nessas instalações, os grupos frigoríficos arrefecem a água do circuito de distribuição de cerca de 12 °C para temperaturas entre 2 °C e 4 °C.
A água gelada circula na rede através de duas tubagens independentes. A tubagem de ida distribui água fria para os edifícios ligados ao sistema, enquanto a tubagem de retorno conduz de novo à central a água aquecida, após esta ter absorvido a carga térmica dos sistemas AVAC dos edifícios.
A transferência de frio para cada edifício é realizada através de permutadores de calor, que permitem separar completamente o circuito da rede urbana do circuito interno de cada instalação. Desta forma, não existe qualquer mistura entre os fluidos. A água do Sena nunca entra em contacto com a água do circuito de distribuição, funcionando apenas como meio de transferência térmica antes de ser devolvida ao rio com um ligeiro aumento de temperatura.
Atualmente, a rede abastece centenas de edifícios, entre os quais hospitais, escolas, museus, escritórios e equipamentos públicos, incluindo o Museu do Louvre e o Grand Palais. O plano de expansão prevê um aumento significativo da cobertura da infraestrutura ao longo das próximas duas décadas, apoiado por um investimento estimado em cerca de 2,4 mil milhões de euros.
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