Estudo analisa o papel das condutas de ventilação na propagação da Covid-19

FOTO PROMOFOCUS/ PIXABAY

Christina Genet

No verão de 2020, surgiu um conjunto de casos de infeção num edifício multifamiliar em Espanha, sem que existissem contactos diretos entre os infetados. Uma equipa internacional de investigadores procurou compreender de que forma o surto poderá ter ocorrido.

A transmissão de infeções por via aérea foi uma das questões de centrais evidenciadas pela pandemia de Covid-19. Mais de seis anos após os primeiros casos da doença, um artigo científico publicado na revista Plos One por uma equipa multidisciplinar de investigadores dos Estados Unidos, do Canadá e de Espanha analisa a origem de um surto que envolveu 15 pessoas num edifício multifamiliar, na cidade de Santander. Tendo em conta que os casos surgiram num período em que a transmissão comunitária era praticamente inexistente, os autores apontam para uma cadeia de transmissão no interior do edifício.

Um dos residentes, que foi o primeiro a identificar a formação do cluster, participou na elaboração do estudo, fornecendo observações determinantes. O segundo caso de infeção surgiu precisamente no apartamento localizado por cima da primeira habitação afetada, num edifício que apresentava uma característica particular: as habitações dispunham de casas de banho sem janelas e ligadas entre si por condutas de ventilação verticais.

Para compreender como o surto poderá ter ocorrido, a equipa de investigação realizou um estudo abrangente. O trabalho incluiu medições dos fluxos de ar no interior de uma habitação-tipo, a utilização de um modelo simplificado de dinâmica de fluidos computacional (CFD) e simulações tridimensionais dos fluxos de ar entre diferentes zonas do edifício, com o objetivo de avaliar a deslocação de aerossóis entre habitações.

Neste contexto, o estudo identificou as condutas verticais de ventilação das casas de banho como a via mais provável de transmissão da Covid-19 entre as diferentes habitações, apesar dos baixos níveis de transmissão comunitária registados na cidade. As casas com grelhas de exaustão obstruídas ou equipadas com sistemas de extração individuais não foram afetadas, tal como aquelas que não partilhavam as mesmas condutas de ventilação. Em conclusão, os resultados reforçam a ideia de que o funcionamento dos exaustores de cozinha ou dos ventiladores das casas de banho pode influenciar significativamente o transporte de aerossóis potencialmente infeciosos, introduzindo variabilidade nos padrões de transmissão aérea de agentes patogénicos.  

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