Eficiência energética na refrigeração industrial: estratégias para a descarbonização e resiliência operacional

D.R.

A refrigeração é um componente essencial, embora por vezes subvalorizado, do consumo energético industrial. Nos setores alimentar e das bebidas, químico e farmacêutico, os sistemas de refrigeração garantem a qualidade dos produtos, permitem operações seguras e asseguram condições controladas de armazenamento e distribuição. Estas funções são críticas no Reino Unido e igualmente relevantes em Portugal, onde os setores agroalimentar, vitivinícola, das pescas, da logística da cadeia de frio, farmacêutico e químico dependem de sistemas fiáveis de refrigeração e controlo térmico de processos.

Introdução

O contexto português torna este tema particularmente importante. Portugal já enfrenta temperaturas elevadas no verão, ondas de calor e uma crescente variabilidade climática. Nos sistemas de refrigeração, temperaturas ambiente mais elevadas aumentam o diferencial térmico entre evaporação e rejeição de calor, reduzindo o Coe­fficient of Performance (COP) e aumentando o consumo de energia elétrica dos compressores. Durante períodos de calor extremo, a mesma instalação frigorífica pode enfrentar simultaneamente duas pressões: maior neces­sidade de arrefecimento e menor eficiência operacional. Para instalações industriais em funcionamento contínuo, isto tem implicações nos custos energéticos, nos picos de consumo de eletricidade, na resiliência operacional e nas emissões de gases com efeito de estufa.

Na Europa, a descarbonização industrial tem-se centra­do frequentemente nos processos de transferência de calor e na substituição de combustíveis fósseis. Embora estas medidas continuem a ser essenciais, a refrigeração merece uma atenção equivalente. Em muitas instalações industriais, a refrigeração é um dos maiores consumido­res de eletricidade e pode operar 24 horas por dia. Estu­dos realizados em instalações industriais no Reino Unido demonstram que é possível alcançar reduções signifi­cativas no consumo energético e nas emissões através da melhoria da operação e manutenção, de sistemas de controlo mais eficientes, de modernizações direciona­das e de melhor design das novas instalações. Embora os dados tenham origem em instalações britânicas, as conclusões de engenharia são diretamente aplicáveis ao contexto português e ao sul da Europa em geral.

Este artigo resume estratégias práticas para melhorar a eficiência energética dos sistemas de refrigeração in­dustrial e explora a forma como estas podem contribuir para a descarbonização e para a resiliência operacional em climas “mais quentes”. As conclusões apresentadas fazem parte do projeto Transport, Industrial and Com­mercial Refrigeration (TICR), um projeto colaborativo li­derado pela autora e financiado pelo Departmento para a Energia e Segurança Energética do Reino Unido. Iniciado em 2022, o projeto apoia a estratégia britânica de neu­tralidade nas emissões de carbono através da análise do consumo energético e das emissões associadas à refri­geração nos setores de transporte, industrial e comercial, particularmente em aplicações difíceis de descarbonizar.

Processos industriais e refrigeração

A refrigeração industrial abrange uma vasta gama de temperaturas e aplicações. Na indústria alimentar e de bebidas, os processos mais comuns incluem refrigera­ção, congelação, arrefecimento rápido (blast chilling) e congelação rápida (blast freezing). As aplicações típicas de refrigeração (com temperaturas entre 0 °C e 5 °C) in­cluem carne, fruta, vegetais, laticíneos, cerveja, produtos de panificação e refeições pré-preparadas. A congelação ocorre geralmente abaixo de 0 °C e pode atingir cerca de -18 °C para muitos produtos alimentares, enquanto a congelação rápida pode exigir temperaturas do ar entre -30 °C e -40 °C, ou inferiores, para congelar rapidamente os produtos e preservar a sua qualidade.

Na indústria química e farmacêutica, os requisitos de refrigeração podem ser ainda mais diversificados. (…)

Catarina Marques, Investigadora especializada em refrigeração
London South Bank University

Leia o artigo na integra na Avac Magazine nº 16, abril/ junho 2026

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