UE cria classificação de sustentabilidade para centros de dados

D.R.
Margarida Caferra
A Comissão Europeia apresentou um sistema comum de classificação da sustentabilidade dos centros de dados, baseado na eficiência energética e hídrica, e lançou uma consulta pública para preparar futuras normas mínimas de desempenho. O crescimento do consumo de eletricidade destas infraestruturas, impulsionado pela inteligência artificial e por outros serviços digitais, está na origem das novas medidas.
Os centros de dados consumiram 68 TWh de eletricidade na União Europeia em 2024 e a Comissão estima que este valor possa atingir 114 TWh em 2030, equivalente a 3,2 % da procura de eletricidade da UE. Além do consumo energético, o crescimento destas infraestruturas coloca desafios relacionados com as redes elétricas, as emissões de carbono e a utilização de água.
O novo sistema europeu prevê a atribuição de etiquetas eletrónicas aos centros de dados a partir das informações e dos indicadores de desempenho comunicados à base de dados europeia. As classes de eficiência são determinadas através de dois indicadores, o Power Usage Effectiveness, PUE, para a eficiência energética, e o Water Usage Effectiveness, WUE, para a eficiência hídrica.
Classes de A a G para energia e água
A eficiência energética será classificada numa escala de A a G. A classe A corresponde a um PUE igual ou inferior a 1,15, enquanto a classe G abrange valores superiores a 1,9. Na eficiência hídrica, a classe A aplica-se a um WUE igual ou inferior a 0,1 e a classe G a valores superiores a 1,0.
A etiqueta incluirá ainda informação sobre a origem da energia consumida, as condições climáticas da localização, a prestação de serviços de flexibilidade à rede elétrica e a preparação da instalação para a reutilização de calor residual.
Neste último caso, o regulamento considera preparado para reutilização de calor residual um centro de dados novo ou existente concebido ou adaptado para captar e fornecer esse calor a utilizadores externos. Entre as infraestruturas previstas encontram-se permutadores de calor, circuitos hidráulicos dedicados e sistemas de medição térmica.
A Comissão estima que uma melhoria do PUE de 1,6 para 1,2 pode reduzir em 25 % o consumo de eletricidade de um centro de dados. A passagem de um WUE de 1,0 para 0,5 poderá reduzir em 50 % o consumo de água. Segundo os cálculos apresentados, a reutilização de metade do calor residual produzido pelos centros de dados europeus teria potencial para cobrir as necessidades de aquecimento de quase quatro milhões de habitações.
As primeiras etiquetas deverão ser geradas automaticamente pela base de dados europeia até 15 de agosto de 2027 e passarão a ser emitidas anualmente. Os documentos serão disponibilizados em formato eletrónico e terão validade, em regra, até 15 de agosto do ano seguinte.
Comissão prepara requisitos mínimos
Em paralelo, a Comissão Europeia abriu uma consulta pública de 12 semanas sobre a introdução de normas mínimas de desempenho para centros de dados. Os contributos podem ser apresentados até 14 de dezembro e servirão de base à preparação de uma proposta legislativa prevista para o segundo trimestre de 2027.
As futuras normas poderão estabelecer requisitos destinados a reduzir o consumo energético e a pegada ambiental destas infraestruturas. A iniciativa enquadra-se na Diretiva da Eficiência Energética, que permite à Comissão propor medidas adicionais para melhorar o desempenho energético dos centros de dados.
Outros artigos que lhe podem interessar