Estudo alerta para o impacto dos incêndios florestais na qualidade do ar interior

FOTO JKDBERNA/ PIXABAY
Christina Genet
Investigadores da Universidade de Califórnia analisaram a evolução da presença de COV no ar interior e exterior durante os grandes incêndios de Los Angeles.
Em janeiro de 2025, a Califórnia nos EUA foi afetada por graves incêndios florestais, entre os piores da história da região. Segundo o Independent Institute, as perdas totais de capital e propriedade são estimadas entre 76 e 131 mil milhões de $. Um ano após a tragédia, um grupo de investigadores da School of Public Health da Universidade de Califórnia acaba de publicar na revista científica Environmental Science & Technology Letters um estudo sobre a qualidade do ar interior e exterior durante e após os incêndios.
Enquanto cerca de 15 mil hectares foram destruídos nas zonas ocidental e nordeste da Califórnia, os investigadores centraram-se no elevado potencial tóxico do fumo resultante dos fogos. O objetivo foi analisar os níveis de concentração de compostos orgânicos voláteis (COV) antes, comparando a composição do ar interior e exterior ao longo da evolução do fogo. Para o efeito, recolheram continuamente amostras de ar interior e exterior desde o segundo dia após o início dos fogos até a fase pós-incêndio.
Transferência de componentes tóxicos do exterior para o interior
O estudo identificou a presença de substâncias nocivas para a saúde humana, como benzeno, tolueno e xilenos, em todas as fases analisadas – embora com diferenças significativas entre o ar interior e exterior. Entre o início do fogo e a fase pós-incêndio, o rácio de concentração de COV no interior e no exterior dos edifícios aumentou de forma contínua. Os autores do estudo sublinham que esta evolução pode indicar a transferência de componentes tóxicos do ar exterior para o ar interior ao longo do tempo.
Embora outros fatores possam influenciar estes resultados – como por exemplo as atividades de confeção de alimentos e a composição das paredes no interior dos edifícios, ou a intensidade do vento nos ambientes exteriores – os dados revelam uma tendência clara: após os fogos, a qualidade do ar interior é muitas vezes inferior à do ar exterior.
Consequentemente, mesmo depois dos incêndios, os residentes correm o risco de continuar expostos a substâncias tóxicas nas suas habitações. Os investigadores estimam que este risco possa estar associado a materiais no interior das casas afetadas pelo fogo, que continuam a libertar COV. Neste contexto, sublinham a importância da ventilação natural e da utilização de sistemas de AVAC para limitar os riscos para a saúde humana quando os moradores regressam às suas casas.
Outros artigos que lhe podem interessar