Bombas de calor ganham espaço na indústria alimentar

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Christina Genet
Um webinar organizado pela EHPA e pelo projeto europeu EXQUISHEAT apresentou vários exemplos de reutilização do calor residual em processos industriais.
A recuperação de calor residual através de bombas de calor está a abrir novas oportunidades para a descarbonização do processamento alimentar. O tema esteve em destaque num webinar promovido a 30 de setembro pela European Heat Pump Association (EHPA) em colaboração com o projeto europeu EXQUISHEAT.
Um dos casos apresentados foi o da fábrica de carne Grilstad na Suécia. Sören Friis-Hansen da Enrad explicou como a unidade substituiu um sistema de refrigeração obsoleto por uma solução que utiliza o refrigerante natural R290. Em funcionamento desde 2019, a instalação assegura uma capacidade de refrigeração de cerca de 350 kW. No entanto, o aproveitamento do calor para a rede de aquecimento urbano está limitado aos períodos de maior procura.
Na Noruega, a Stella Polaris apresentou outra aplicação: a reutilização do calor proveniente da refrigeração para produzir vapor destinado ao processamento de camarão. Jaran Rauø apresentou uma instalação desenvolvida no âmbito do projeto europeu SPIRIT, concebida para substituir uma caldeira alimentada a combustíveis fósseis por bombas de calor de alta temperatura. O sistema deverá produzir cerca de 700 kW de vapor a uma temperatura de aproximadamente 145 °C, aproveitando o calor gerado pela refrigeração que, de outro modo, seria dissipado na água do mar.
Um sistema complexo de integrar nos processos industriais
A discussão centrou-se também nos obstáculos à adoção generalizada destas soluções. Eric Lecomte da Direção-Geral da Energia da Comissão Europeia salientou a importância da cooperação entre investigadores, fabricantes de bombas de calor e utilizadores industriais para acelerar a passagem da investigação para a aplicação à escala industrial.
Por sua vez, Audrey Meurisse da Veolia apresentou resultados preliminares do EXQUISHEAT, com base em entrevistas a dez utilizadores industriais na Alemanha e em Espanha. Entre os principais obstáculos identificados encontram-se a incerteza quanto ao retorno do investimento, os custos iniciais elevados, a falta de competências especializadas e a complexidade da integração das bombas de calor nos processos industriais existentes.
Moderado por Uli Jakob da dr. jakob energy research, o webinar reforçou a ideia de que o calor rejeitado pelos sistemas de refrigeração, indispensáveis à indústria alimentar, pode deixar de ser desperdiçado e passar a constituir uma fonte de energia útil para os próprios processos produtivos.
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