Arquitetura metabólica pode melhorar a IAQ segundo estudo da Universidade de Yale

FOTO CAMPUS YALE UNIVERSITY/ PIXABAY
Christina Genet
Sistemas vivos poderão superar as limitações dos sistemas AVAC convencionais na redução de CO2 em espaços fechados.
Biofiltros à base de plantas e microrganismos poderão complementar os sistemas de ventilação e climatização, para reduzir a concentração de dióxido de carbono (CO2) no interior dos edifícios para níveis inferiores aos registados no ar exterior. Esta é uma das conclusões apresentadas num estudo liderado pelo Yale Center for Ecosystems and Architecture (Yale CEA), em colaboração com investigadores da New York University e da Purdue University, entre outras instituições.
Publicado na revista Energy and Buildings, o trabalho intitulado “Assessing building-integrated bioremediation infrastructure within the context of unsustainable rising atmospheric CO2” explora o potencial da chamada arquitetura metabólica, uma abordagem que integra sistemas vegetais e microbianos na infraestrutura dos edifícios, com o objetivo de melhorar a qualidade do ar interior.
O estudo parte de um desafio crescente para o setor AVAC: o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Atualmente na ordem dos 420 ppm, este valor poderá atingir 936 ppm nos próximos 50 anos, segundo as projeções consideradas pelos investigadores. O problema tem particular relevância nos meios urbanos, onde as pessoas passam mais de 90 % do seu tempo em espaços interiores, nos quais podem estar expostos a concentrações elevadas de CO2.
Embora a ventilação mecânica convencional seja essencial para diluir os poluentes presentes no ar interior, através da renovação do ar, tem uma limitação fundamental. Por si só, não consegue reduzir a concentração de CO2 abaixo do nível existente no exterior.
Como alternativa complementar, os investigadores analisaram sistemas de biofiltração integrados nos edifícios, que recorrem à fotossíntese para remover CO2 diretamente do ar interior. Além de poderem reduzir a sua concentração para níveis inferiores aos do ar exterior, estes sistemas poderão contribuir para aumentar a diversidade microbiana nos ambientes interiores.
A investigação identificou que opções de conceção relativamente simples, como o encaminhamento dos fluxos de ar e as condições de iluminação, podem influenciar a eficácia dos biofiltros. O trabalho aponta assim para a possibilidade de integrar processos biológicos nas estratégias de conceção dos edifícios e de tratamento do ar interior. Os resultados constituem uma base para o desenvolvimento e a otimização de futuras soluções, aproximando a engenharia de edifícios dos princípios de funcionamento dos sistemas vivos.
Outros artigos que lhe podem interessar