Aumento da utilização de ar condicionado acelera o aquecimento global

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Christina Genet
Um estudo publicado na revista Nature Communications alerta para o impacto da climatização no aumento das temperaturas. Sublinha também disparidades entre regiões com níveis de desenvolvimento económico mais e menos avançados.
A utilização de ar condicionado no mundo deverá aumentar pelo menos 25 % até 2050, sendo responsável por uma subida das temperaturas globais entre 0,03 e 0,06 ºC. Um estudo do Institute of Technology de Beijing e da Universidade de Birmingham, publicado na revista Nature Communications, divulgou recentemente estas estimativas. A partir deste alerta, os autores destacam a importância de adotar, à grande escala, tecnologias de arrefecimento mais sustentáveis e com menor potencial de aquecimento global (GWP).
Segundo o estudo, a evolução da procura de ar condicionado varia, no entanto, muito entre as diferentes zonas geográficas e nem sempre acompanha a situação económica dos Estados. Estas tecnologias deverão difundir-se particularmente em regiões equatoriais, como o Sudeste Asiático e a Indonésia, mas também no Paquistão, na África Ocidental e no Sul da Ásia, regiões com um nível de desenvolvimento económico ainda limitado. Em países europeus e no Canadá, pelo contrário, que são regiões mais prósperas, a procura por equipamentos de ar condicionado deverá aumentar mais lentamente.
Disparidades regionais na utilização de climatização
Os cientistas estimam que o consumo de energia associado ao ar condicionado deverá aumentar 135,7 % até 2050 em comparação com 2010, representando cerca de 8 % da energia total consumida. Em todas as simulações realizadas no estudo, os EUA e a China revelam-se os maiores consumidores de sistemas de climatização. Com as contribuições adicionais do Japão, do Médio Oriente e do Sudeste Asiático, a Ásia deverá tornar-se o líder mundial. Segundo o estudo, esta evolução está estreitamente ligada ao aumento dos rendimentos nestes países. Nos EUA, onde o ar condicionado já é muito comum, o crescimento da instalação de soluções de climatização deverá ser mais moderado.
O artigo científico destaca, consequentemente, a relação entre o impacto total do aquecimento resultante da utilização de ar condicionado e os efeitos do desenvolvimento socioeconómico dos Estados e das populações. Mas sublinha igualmente a persistência de desigualdades no impacto no aquecimento global associadas à utilização de ar condicionado entre as diferentes regiões geográficas. Até 2050, prevê-se que os 10 % mais ricos da população mundial venham a consumir cerca de três vezes mais energia para arrefecimento do que os 10 % mais pobres.
No entanto, tendo em conta as diferenças climáticas locais, o estudo mostra que as populações com rendimentos mais baixos utilizam muito menos ar condicionado em relação às suas necessidades de arrefecimento, do que as populações com rendimentos mais elevados.
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