Entrevista a António Beirão fundador da Sandometal
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Entrevista e fotografia por Christina Genet
Com mais de cinco décadas de experiência no setor, António Beirão acompanhou de perto a transformação da climatização em Portugal, desde os primeiros anos de atividade na Indústrias Térmicas Nunes Correia, SA até à fundação da Sandometal – Metalomecânica e Ar Condicionado, SA em 1979, empresa que dirigiu durante 46 anos. Nesta entrevista, recorda a evolução tecnológica do setor e partilha a sua visão sobre os principais desafios que hoje se colocam às empresas: a eficiência energética, o conforto dos utilizadores e a formação dos profissionais.
Como iniciou a sua vida profissional ligada ao setor da climatização e do ar condicionado?
Comecei a trabalhar no ramo do ar condicionado em 1966, como desenhador, numa empresa que fazia instalações de ar condicionado. Depois, comecei a ir às obras, a fazer e a coordenar pequenas instalações de ar condicionado e ventilação. Nessa altura, os três grandes instaladores de ar condicionado em Portugal chamavam-se Indústrias Térmicas S.A., que era onde eu trabalhava, Fonseca & Seabra e Metalúrgica Luso-Italiana, S.A. Cada um tinha a sua parte de fabrico e acabaram por se juntar e criar uma única empresa para fabricar as condutas. Houve um concurso interno na minha empresa e fui selecionado para chefiar a parte fabril dessa nova empresa, onde fabricávamos condutas retangulares, tubo spiro, depósitos de combustível e de águas sanitárias.
Que razões o levaram a fundar esta empresa?
A seguir ao 25 de Abril de 1974, eu diria que ninguém estava preparado para a liberdade de expressão e houve uma explosão de ideias. Havia uma grande guerra entre os partidos, houve uma grande destabilização social, o mercado caiu e os investidores deixaram de investir. Portanto, começou a haver falta de trabalho generalizada. Nós, que fabricávamos as condutas de ar condicionado, sem investimentos não tínhamos condutas para fazer. Depois, começou a haver necessidade de alimentar as pessoas que regressavam das antigas colónias portuguesas, de Angola, Moçambique e da Guiné-Bissau. Regressaram cerca de 600 mil pessoas. Foi um êxodo, e Portugal não estava preparado para alimentar tanta gente. A carne de frango era a mais rápida de produzir, mais barata, e assim, houve um boom na pecuária e começaram a aparecer os aviários. Nós tínhamos umas Nunes Correia, pessoas conhecidas que fabricavam para esse setor, mas não tinham capacidade suficiente, então começámos nós a fazer tudo o que era de chapa para a pecuária. E foi isso que aguentou a empresa onde eu estava. Quando a atividade do ar condicionado foi retomada, tivemos de deixar de fazer os produtos para a pecuária e voltar a fabricar as condutas de ar condicionado. Foi neste contexto, em 1979, que vi uma oportunidade de formar a Sandometal pois para começar uma atividade, a pecuária pareceu-me um nicho de mercado interessante. Assim, nasceu a Sandometal – Equipamentos Agroindustriais Lda., que mais tarde veio dar lugar à Sandometal, Metalomecânica e Ar Condicionado SA.
Como recorda os tempos iniciais da sua atividade, comparando-os com a fase final do seu percurso profissional?
O ramo do ar condicionado mudou muito desde então. Depois do 25 de Abril, no final dos anos 1970, começaram a ser construídos hotéis e apareceram os primeiros centros comerciais e edifícios de escritórios. Daí surgiu uma maior necessidade de ar condicionado. Foi neste contexto que todo o ramo do ar condicionado – e a economia em geral – evoluíram. Nessa altura, os instaladores de ar condicionado tinham de fazer tudo. Faziam as condutas, faziam os ventiladores, faziam as grelhas e os difusores. Mais tarde, começaram a aparecer empresas especializadas, empresas de projeto, fabricantes de grelhas, fabricantes de ventiladores, etc. Isso tornou a vida do instalador muito mais fácil. O instalador agora vai buscar ao mercado os componentes de que precisa para a sua instalação de ar condicionado e coordena a montagem de tudo.
Em que contexto é que a Sandometal começou a internacionalizar-se?
Diria que a internacionalização da empresa começou em 1992, ano em que a Espanha acolheu a Expo 92 em Sevilha, os Jogos Olímpicos em Barcelona, e Madrid era Capital Europeia da Cultura. Foram três grandes eventos que tiveram lugar nesse ano e a Espanha não tinha capacidade interna para fazer tudo aquilo. Eu dava-me muito bem com um fabricante de grelhas e difusores de Espanha e ele incentivou-nos a irmos fazer coisas para Sevilha. Começámos a fornecer muitas condutas para Sevilha, depois, fornecemos condutas para a Illa Diagonal em Barcelona, e também muitas condutas para Madrid. Foi aí que começou a nossa internacionalização.
Mais tarde, começámos a expor as nossas condutas Spiroval e Unidades de Tratamento de Ar, na Feira ISH em Frankfurt na Alemanha, e assim o nome da Sandometal começou a ser conhecido internacionalmente.
Resultante disso, fomos abordados por um cliente irlandês, com quem mantemos excelentes relações comerciais, e hoje é o nosso principal cliente para a Irlanda, Reino Unido e Países Baixos.
A nossa maior obra de Unidades de Tratamento de Ar foi o
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