França aponta para instalação de 1 milhão de bombas de calor por ano até 2030

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No contexto do conflito no Médio Oriente e da subida dos preços da energia, a França pretende eletrificar o país e combater a sua dependência do petróleo.
Um vasto plano nacional de eletrificação foi apresentado pelo primeiro-ministro francês no passado dia 10 de abril. Com o objetivo de reduzir a dependência do país do petróleo e do gás importados de 60 % para 40 % até 2030, a França pretende assim acelerar a sua transição para um mix energético mais sustentável e combater a subida dos preços da energia provocada pelo conflito no Médio Oriente.
A estratégia de Sébastien Lecornu passa nomeadamente pelo reforço da instalação de postos de carregamento elétrico em autoestradas e estradas nacionais, destinados ao carregamento de veículos elétricos, sendo atualmente os transportes a principal fonte de despesa dos particulares com combustíveis fósseis. Estes postos deverão quintuplicar até 2035. O programa de leasing social já implementado para incentivar o aluguer de veículos elétricos deverá igualmente ser reforçado.
Outro dos eixos centrais da reforma francesa é o incentivo à instalação de bombas de calor. A França pretende aumentar a instalação destes equipamentos para 1 milhão por ano até 2030. Este objetivo representa um valor seis vezes superior ao número de vendas registado em 2025, segundo a organização Uniclima. Para o efeito, os franceses terão acesso a uma oferta que incluirá instalação, manutenção e fornecimento de eletricidade num único contrato, afirma o jornal Le Monde.
O primeiro-ministro francês declarou ainda que as bombas de calor deverão permitir reduzir para metade os custos de aquecimento, além de apresentarem a vantagem de serem produzidas em França e de criarem milhares de novos postos de trabalho. Para apoiar os agregados familiares com baixos rendimentos na instalação destes equipamentos, o Governo disponibilizará apoios financeiros entre 1000 e 80 000 euros.
Por fim, as caldeiras a gás serão progressivamente proibidas, primeiro em novas construções e, posteriormente, também em edifícios existentes, a partir de 2030. A França aponta ainda para 2 milhões de habitações sociais equipadas com bombas de calor até 2050. Um sinal positivo para o diretor-geral da EHPA, Paul Kenny: “Os franceses compreenderam bem a questão. As bombas de calor são essenciais para reforçar a autonomia estratégica, promover a produção e o emprego na Europa, eliminar os combustíveis fósseis e reduzir as faturas energéticas.”
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